Pela última vez escreverei sobre ti.
Chegando agora o final, e somando agora as amarguras do nosso amor com as alegrias dos nossos reencontros, fico sem saber se toda a ilusão que pairou perante as nossas cabeças foi uma simples quimera, sem razão de ser, e sem argumentos para o ser.
Aprendi contigo que o amor não é só gostar e rir, é também proteger e chorar, partilhei contigo algo que nunca tinha partilhado tão intensamente com ninguém. Duvido apesar de tudo que tenha sido recíproco, e ai inicia-se também a minha maior desilusão. Como o esquecimento parte da nossa força de vontade, julguei que poderia fazer de ti, quase como que por recompensação, o meu cofre de segredos, a pessoa a quem poderia pedir ajuda nos meus próximos desencontros, mas nem a confiança que me ligava a ti consegui manter. Independentemente de tudo, nunca me serás indiferente, porque motivo seja, como nunca esquecerei o calor dos teus lábios, de quando me dizias, quase por ingenuidade que me amavas. Ficarei assim, revoltado por um fim tão mórbido que não permite um regresso, mas aliviado, por pensar que a ti, só não dei o meu mundo, pois não o quiseste aceitar.
>> Carlos Ferreira
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