11/05/09

Diana

Pela última vez escreverei sobre ti.
Chegando agora o final, e somando agora as amarguras do nosso amor com as alegrias dos nossos reencontros, fico sem saber se toda a ilusão que pairou perante as nossas cabeças foi uma simples quimera, sem razão de ser, e sem argumentos para o ser.
Aprendi contigo que o amor não é só gostar e rir, é também proteger e chorar, partilhei contigo algo que nunca tinha partilhado tão intensamente com ninguém. Duvido apesar de tudo que tenha sido recíproco, e ai inicia-se também a minha maior desilusão. Como o esquecimento parte da nossa força de vontade, julguei que poderia fazer de ti, quase como que por recompensação, o meu cofre de segredos, a pessoa a quem poderia pedir ajuda nos meus próximos desencontros, mas nem a confiança que me ligava a ti consegui manter. Independentemente de tudo, nunca me serás indiferente, porque motivo seja, como nunca esquecerei o calor dos teus lábios, de quando me dizias, quase por ingenuidade que me amavas. Ficarei assim, revoltado por um fim tão mórbido que não permite um regresso, mas aliviado, por pensar que a ti, só não dei o meu mundo, pois não o quiseste aceitar.

>> Carlos Ferreira

19/04/09

Persistencia - Amor Combate -

“Eu quero estar lá, quando tu tiveres de olhar para trás,
Sempre quero ouvir aquilo que guardaste para dizer no fim.
Eu não te posso dar aquilo que nunca tive de ti,
Mas não te vou negar a visita as ruínas que deixaste em mim! “



Na tentativa de encontrar um porquê para final tão frio, apenas consigo encontrar razões para um começo. Tendo medo de me afogar nos rios de pensamentos que possam correr na tua cabeça, fico sem saber se algum dia por lá verdadeiramente naveguei e acreditando que já fui um dia teu porto seguro, deixa-me vazio o facto de não agora não o ser. Certamente esta minha perda de encanto deverá ser apenas mais um passo em direcção ao meu previsto declínio pois se o meu sentimento mais puro e incorruptível é incapaz de suscitar interesse em ti, jamais será capaz de manter junto todos os outros que vagueiam pela minha cabeça. Apesar de tudo permaneces por cá, implantando um sufoco por cada olhar que me lances, desorientando-me por cada gesto que me implique, e causando o pânico cada vez que a frieza se apodera do espaço que possamos partilhar. Amar-te-ei, e disso tu saberás, porque por mais intacta e serena que se assemelhe a minha postura, maior é ainda o pânico e sofrimento que por dentro me mói, desfazendo por vezes até as esperanças de um dia te puder ver como já vi. Assim, nunca te negarei a visita às ruínas que deixaste em mim, pois se tu conseguiste edificar tantos sentimentos que até ti não tinha experimentado, não quero que mais ninguém possa ser capaz de os apagar, por isso sei que, se no meu coração começar a chover, instintivamente te irei abrigar. Permanecerei, talvez continuando a tentar encontrar um porquê para o fim, mas crendo na possibilidade de um novo começo, talvez condicionado e impossível, mas sentido e fundamentado, pelo menos pelo que a minha entrega e necessidade por ti me pede …

>> Carlos Ferreira

06/04/09

Amar-te-ei

Cada vez mais vou descobrindo o que não queria descobrir, e dia após dia vou sentindo o que nem deveria sentir. Se antes não compreendia a frustração de não ter, agora agonizo por saber.
Se algum dia já fui alguém, hoje sou apenas as cinzas de algo que já ardeu, e so’ espero que alguém me sopre, para que desapareça de vez.
Certamente amar algo que já me reconheceu como seu não vai ser fácil, não tenho qualquer tipo de duvidas, mas mais difícil será ainda quando esse alguém, reconhecer alguém no lugar que já foi meu. Valho te agora tanto como a chuva que cai, significo te tanto como as folhas que calcas que no teu caminho, mas para ti viverei, ainda que sem sentido para ti .

11/03/09

Passado futuramente

Para alem de indiferente ao que de mais inigualável e improvável facto que possa estar a presenciar, por mais longo e sincero que seja o sorriso que dê á mais medíocre eventualidade da vida, não consigo deixar de ficar desprovido de qualquer sensação, de qualquer percepção de qualquer sentimento, resumindo o meu corpo enche-se de um nada tão denso, que fico completamente sufocado por uma falta de tudo. Deixando de parte todo o inevitável apego que as minhas palavras tem ao meu coração, tento exprimir de alguma forma a “não-vontade” que tenho neste momento de viver. Se soubesse que o futuro me pertencia, todo o meu discurso seria diferente, mas tenho um constante medo sobre o meu mórbido e provavelmente decadente futuro, ao ponto de confidenciar que a regressão no mesmo tempo seria o mais indicado para mim neste momento. Nunca me senti realmente seguro, e não tenho esperança de algum dia vir sequer a sentir, pois sinto me como areia que escorrega nas mãos de um qualquer ser maior, e que consequentemente terá de viver no meio de um deserto, deserto de sentimentos, deserto de ideias, deserto de sonhos, deserto de mim …

04/03/09

Chamas de gelo

Chamas de gelo
Inflamada frieza do nosso calor
Clamarão pelo nosso amor
Até que algo consiga dissolve-lo


Reclamo pela chama que arde dentro de mim
Que se ateia, quando da tua liquidez não usufrui
Pois apenas com ela finitamente se dilui,
Tendo sem ela um inicio sem fim …

>> Carlos Ferreira

01/01/09

Desabafo perdido

(Perdido, apenas perdido. Não consigo arranjar outra forma de explicar a minha indignação a não ser através desta expressão. Penso que perdi completamente a noção do certo ou/e errado, do sensato ou abuso, pensamento ou acção, afastamento ou separação, amor ou ódio …
Não me lembra de reconhecer em mim qualquer uma destas dúvidas, pelo menos tão ostensivamente, de tal forma que nem me deixam respirar. Sim, é um sufoco enorme quando somente me vem á ideia de estar correcto no que digo, pois se é tanta a aflição que simplesmente me ocorre sem um facto concreto a apontar, suponho que não conseguiria aguentar com a ideia de lidar com algo de exacto e verídico.
Sinto que tenho em mim o poder de decidir manter esta incerteza, mas sinto também que tenho algo mais forte que eu, que não me deixa usar esse poder. Idealizando por vezes a ideia de simplesmente pôr termo a tudo, sou contrariado com o facto de não conseguir viver sem o Tudo, pois apesar de neste momento achar que cada momento sem ti devesse durar anos, pois assim conseguiria ganhar imunidade ao íman que me puxa para ti, cada momento contigo, ainda que quase nunca perfeito, deveria durar séculos, pois inexplicavelmente nesta altura da minha vida, tudo faz sentido, apenas se tu estiveres incluída. Não sei como viver assim, mas também não sei como morrer disto, talvez esteja apenas designado a ser assim. Não minto, e por isso digo que os momentos de tristeza e vazio começam a apoderar-se cada vez mais de mim, mas que não me deitam tão a baixo quanto o saber que provavelmente não virá uma reviravolta, a não ser que seja feita por mim, porque no fundo sou eu que estou sentado em frente a um teclado a meio da noite a tentar edificar uma ideia que não tem completamente sentido nenhum, apenas porque não consigo fechar os olhos, sem libertar a minha fértil e apocalíptica imaginação, relativamente ao que Nós se relaciona … )

22/12/08

Vacilação sobre a própria Tese

E quando tens a certeza que a tua principal convicção oscila mais do que nunca oscilou? E quando te sentes na corda bamba, apesar de saberes que nunca tocarás no chão, pois já estás enterrado no poço mais fundo? E quando o mundo gira, tudo se agita, qualquer um se ocasiona, se persuadis, se suscita, se MEXE, e tu proclamas e reclamas silenciosamente a tua repugnante (in)existência, num espaço que partilhas contigo mesmo, e do qual apesar seres constantemente apelado a abandonar, não abandonas pois teoricamente falando ( “familioricamente falando, amigoricamente falando, religiosicamente falando”) e’ o mais correcto.
Não sendo filantrópico, não quero saber das necessidades de mais ninguém, pois a humanidade é e será sempre algo destrutivo para mim, sabendo que não me quero assemelhar a mais nenhum ser Humano, portanto porque falar de Humanidade se a diferença sempre existirá, e se eu quero ser parte integrante dela?
Ridículo por escrever isto, é como me sinto, quando pressinto que as palavras que profiro inflamam ao sair do meu pensamento, sendo queimadas lentamente pelos diversos ideais de quem as lê e tenta sentir. Afinal de contas sou mais um, preso nas próprias teias que teço, impedido de ser algo que persigo, no fundo indignado mas ciente do conto de fadas que uns vivem e outros lêem.

[… Fuck You I won’t do what you Tell Me …]